Mesopotâmia – Compreende
a região entre os rios Tigre e Eufrates (atualmente parte do
Iraque) conhecida como Mesopotâmia – terra entre rios, em
grego. É habitada desde 5.000 a.C. por tribos de origem semita.
Entre 3.200 e 2.000 a.C. povos de outras origens, como os sumérios,
acadianos, assírios, elamitas e caldeus, migram para a região e
fundam cidades-Estado independentes. Em 331 a.C. a região é
dominada por Alexandre, o Grande, da Macedônia.
SUMÉRIOS
Instalam-se ao sul da Mesopotâmia
entre 3.200 e 2.800 a.C. Têm origem incerta. Surgem possivelmente
no vale do rio Indo. Fundam cidades-Estado como Nippur, Kish, Ur,
Uruk e Lagash. Dominam os semitas até 2.300 a.C., quando são
vencidos pelos acadianos. Restabelecem sua hegemonia em 2.050
a.C., mas não resistem à invasão dos semitas do deserto, em
1.950 a.C.
Economia e sociedade sumérias
– Desenvolvem a agricultura, com técnicas de irrigação,
construção de canais, diques e reservatórios e a utilização
de instrumentos de tração animal. Empregam a metalurgia do
bronze. Utilizam carros com rodas e desenvolvem atividades
comerciais com outras cidades.
Organização política suméria
– O centro político e religioso é representado pelo templo,
que funciona também como núcleo econômico (fabricação de
tijolos e ladrilhos, depósito de tributos e oferendas, empréstimos).
Sua autoridade máxima é o rei, também sumo sacerdote, com poder
político e militar hereditário. Os sacerdotes são responsáveis
pela administração do templo.
Cultura e religião sumérias
– Criam a escrita cuneiforme (gravação com estilete sobre tábua
de argila) e desenvolvem a cerâmica e a estatuária de pedra e
metal. Possuem um sistema numérico sexagesimal para medir o dia
(24 horas, 60 minutos e 60 segundos). Dividem o círculo em 360
graus e o ano em 12 meses. Praticam uma religião politeísta, na
qual coexistem os deuses da natureza e os deuses ligados aos
sentimentos.
ACADIANOS
Originam-se de tribos semitas que
habitam o vale mesopotâmico desde 2.400 a.C. Infiltram-se nas
cidades-Estado sumérias, até conquistar Kish. Estabelecem Akad
como cidade hegemônica e ampliam seu domínio sobre a Mesopotâmia
meridional, Elam e parte da Ásia Menor, formando os Estados de
Isin, Larsa e Babilônia.
1o Império Babilônico –
Forma-se a partir de 1.728 a.C., sob o reinado de Hamurabi, depois
de campanhas militares contra cidades e povos vizinhos. Babel
torna-se a capital do império e pólo econômico e cultural. As
principais obras literárias mesopotâmicas são transcritas para
o acadiano. Em 1.513 a.C., o império babilônico é derrotado e
saqueado pelos hititas, povo procedente da Capadócia, na Ásia
Menor. Depois são dominados pelos cassitas, elamitas e assírios.
Hamurabi (1.728 a.C.-1.686 a.C.),
sexto rei da primeira dinastia babilônica (amorritas), é o
fundador do 1o Império Babilônico. Consegue unificar os semitas
e os sumérios. Durante seu governo, cerca a capital com muralhas,
impulsiona a agricultura, restaura os templos mais importantes e
institui impostos e tributos em benefício das obras públicas. É
autor do famoso código penal, o mais antigo da História, que
leva seu nome. O Código de Hamurabi estabelece regras de vida e
de propriedade, estendendo a lei a todos os súditos do império.
Determina penas para as infrações, baseadas na lei de talião
(olho por olho, dente por dente).
Sociedade acadiana – Na política, os acadianos criam um Estado
centralizado e avançam na arte militar. Desenvolvem a tática do
deserto, com armamento leve, como o venábulo (lança), e grande
mobilidade. Na religião, estabelecem novos deuses e passam a
divinizar também o rei.
2o Império Babilônico –
Entre 2.000 e 700 a.C, o império assírio, de grande poder bélico,
estende seus limites ao Mediterrâneo, às montanhas armênias, às
costas do mar Negro, Chipre, Egipto e Núbia. Em 625 a.C., a Babilônia,
Estado acadiano, invade o território assírio, destrói todas as
cidades e extermina seus habitantes. A conquista da Assíria
aumenta o poder da Babilônia, que se torna a mais notável cidade
do oriente. O progresso econômico permite o seu embelezamento,
com a construção de palácios, templos e dos famosos jardins
suspensos. Em 539 a.C., Ciro, rei dos Persas, conquista a Babilônia.
Nabucodonosor (604 a.C-562 a.C), também
conhecido como Nebuchadrezar II, filho do general Nabopolasar. Dá
continuidade à época de prosperidade e hegemonia babilônicas.
Durante seu reinado de 42 anos, a Babilônia atinge seu período
mais glorioso e fica conhecida como a “Rainha da Ásia”.
Constrói a Torre de Babel e os famosos Jardins Suspensos. Líder
militar de grande energia e crueldade, aniquila os fenícios,
derrota os egípcios e obtém a hegemonia no Oriente Médio. Em
598 a.C. conquista Jerusalém e realiza a primeira deportação de
judeus, que seguem para a Mesopotâmia, no episódio conhecido
como “o cativeiro da Babilônia”.
ASSÍRIOS
Resultam da mestiçagem entre povos
semitas, que emigram da Samaria (região da Palestina), e povos
que habitam o Tigre superior, por volta de 2.500 a.C. Constroem
Assur e Nínive, suas principais cidades-Estado.
Economia e religião dos assírios – A propriedade da
terra é repartida entre a casta sacerdotal, rei e nobreza.
Escravos e servos semilivres realizam o trabalho na agricultura e
no artesanato. A agricultura se desenvolve com o surgimento da
horticultura e com o aperfeiçoamento técnico do arado. Politeístas,
possuem um deus supremo, Assur. Constroem imensos palácios e
esculturas monumentais.
EGÍPCIOS
O vale do rio Nilo, com terras
negras e férteis, é a base da civilização egípcia. A
fertilidade resulta da inundação anual do rio (julho a outubro)
e da deposição do húmus quando as águas baixam.
Unificação egípcia – A agricultura e o intercâmbio de
produtos estimulam a sedentarização e a miscigenação das
tribos, que formam, no vale do Nilo, um único povo, diferente dos
beduínos que habitam o deserto. Durante o Neolítico, são
construídas cidades-Estado sobre o eixo fluvial, como Tebas, Mênfis
e Tânis, que se relacionam ativamente. Elas se unificam por volta
de 3.000 a.C., introduzindo uma monarquia centralizada na figura
do faraó, soberano hereditário e absoluto, considerado uma
encarnação divina. As cidades-Estado são transformadas em
nomos, divisões administrativas da monarquia, governadas por
nomarcas.
Expansão e declínio do Egipto – Até 2.700 a.C. o Egipto
se mantém relativamente isolado de outros povos. As incursões
contra os beduínos do Sinai e a conquista das minas de cobre e
pedras preciosas, por volta de 2.000 a.C., constituem os primeiros
passos para romper esse isolamento. Entretanto, disputas internas
e a invasão dos hicsos, povo de origem caucasiana, interrompem
essa expansão. Só após a expulsão dos hicsos, em 1.600 a.C.,
os egípcios se lançam na conquista de territórios da Mesopotâmia,
Síria, Palestina, Chipre, Creta e ilhas do mar Egeu. Em sentido
contrário, o Egipto sofre o assédio de gregos, filisteus, etíopes,
assírios, persas, macedônios e romanos. Em 332 a.C., Alexandre,
o Grande, invade o Egipto. Em 30 a.C. tem início o domínio
romano.
Economia e sociedade egípcias – A agricultura e o intercâmbio
de produtos naturais são a base da economia. Após a unificação,
a terra passa dos clãs à propriedade do faraó, nobres e
sacerdotes. Os membros dos clãs são transformados em servos. As
incursões em direção à Núbia, Somália, Sinai e Biblos
introduzem o trabalho escravo nas minas e na construção dos palácios,
templos e pirâmides .
Ciência e cultura egípcias – Destacam-se na astronomia
(elaboram o primeiro calendário lunar), arquitetura, engenharia e
matemática, lançando os fundamentos da geometria e do cálculo
complexo. Criam as escritas hieroglífica (com ideogramas), hierática
(para uso religioso) e demótica (para fins comuns). Desenvolvem técnicas
de irrigação e de construção de embarcações.
Religião egípcia – Politeísta e antropozoomórfica
(deuses representados por corpo ou cabeça de animais). Aos poucos
ganha predominância o culto ao deus Sol, com diferentes
simbologias nas cidades-Estado. Acreditam no julgamento após a
morte e na reencarnação, fazendo oferendas aos defuntos. Entre
1.377 e 1.358 a.C., Amenófis IV introduz o monoteísmo,
representado no culto a Aton, excluindo as divindades locais. O
monoteísmo é abolido após sua morte.
HEBREUS
Povo nômade de origem semita,
recebe posteriormente a denominação de judeus. Entre 3.000 e
2.000 a.C., uma parte migra para a Galiléia, na Palestina, onde
tribos cananéias estão instaladas e praticam a agricultura.
Outra parte dos hebreus migra para o Egipto, onde é mantida
escravizada entre 1.300 e 1.220 a.C.
Período dos patriarcas – É o período em que as tribos
hebréias são dirigidas de forma absoluta pelos chefes das famílias
ou gens, conforme consta do Velho Testamento. Os patriarcas
acumulam a função de condutores das tribos hebraicas com os
cargos de sacerdotes, juízes e chefes militares. Exercem grande
autoridade política e moral sobre o clã. Com a migração dos
hebreus do Egipto para a Palestina, entre 1.220 e 1.180 a.C.,
guiados por Moisés (Êxodo), começa um período de busca de uma
organização política e de uma base territorial para o povo
hebreu. Moisés elabora os fundamentos do judaísmo, a partir da
revelação dos dez mandamentos, no monte Sinai.
Período dos juízes – Dura de 1.200 a 1.010 a.C., quando
as 12 tribos hebréias se organizam em confederação político-religiosa
para defender seus santuários. A confederação é governada por
juízes (chefes militares cuja autoridade tem fundamentação
religiosa) que vigiam o cumprimento do culto e da lei hebraica.
Período dos reis – A partir de 1.010 a.C., o reino
unificado das 12 tribos se expande, domina todas as cidades-Estado
cananéias até 926 a.C.
Salomão, filho de David, rei de Israel. Governa como déspota
depois da morte de David. Constrói fortalezas e faz de seu exército
o mais bem-equipado. Durante seu reinado, de 970 a.C a 931 a.C.,
protege as artes e o comércio, estabelecendo boas relações com
Fenícia, Síria e Arábia. Sua mais importante realização é a
construção do templo de Jerusalém, centro da unidade nacional
dos hebreus. Compõe obras poéticas e escreve o Cântico dos cânticos.
Cisma – Por disputas internas, os hebreus se dividem, em
926 a.C., nos reinos de Judá, ao sul (capital, Jerusalém), e
Israel, ao norte (capitais sucessivas em Sichem, Tiza, Penuel e
Samaria). Judá e Israel voltam a unificar-se em 852 a.C., para
defender-se dos reinos vizinhos.
Domínio estrangeiro na Palestina – Em 586 a.C., os
hebreus são dominados pelos babilônios e submetidos à escravidão
ou deportados. Entre 539 e 332 a.C., o domínio persa sobre a
Babilônia permite que reconquistem certa liberdade e parte dos
deportados retorna à Palestina. Entre 332 e 140 a.C. sofrem a
dominação macedônica. De 140 a 63 a.C. a estirpe dos asmoneus
consegue restabelecer o reino hebreu, que é aniquilado e
repartido quando a Palestina é incorporada ao Império Romano.
Diáspora – Entre 66 e 70, sob o Império Romano, os
judeus se rebelam contra a obrigação de render culto ao
imperador. Em 133 são expulsos de Jerusalém. Começa ai a diáspora
ou dispersão dos judeus pelo mundo.
Economia e sociedade hebraicas – Os hebreus praticam a
agricultura, o pastoreio e o artesanato, mas destacam-se sobretudo
no comércio com a Arábia. Têm por base social o trabalho de
escravos e servos.
Organização política hebraica – Até 1.010 a.C., as
tribos confederadas elegem juízes para vigiar o cumprimento do
culto e da lei. A partir de então unificam-se em torno de um
governo monárquico. Cargas impositivas e corvéias sobre as
demais cidades do reino, para manter os gastos da corte, dos palácios
e templos de Jerusalém, provocam conflitos e desordens internas.
Com a divisão do reino, governos tirânicos se estendem até 586
a.C., quando os judeus caem sob o domínio babilônico.
Religião hebraica – Produz construções monumentais e
uma literatura dispersa, mas muito importante, contida
principalmente na Bíblia e noTalmud. É uma das primeiras religiões
monoteístas da História, estabelecida durante o êxodo do Egipto
para a Palestina. Seu deus é Jeová e o culto centrado na Arca da
Aliança, símbolo da terra prometida. Durante a dominação macedônica
(332-140 a.C.) ocorre um cisma entre samaritanos (hebreus da
Samaria) e judeus, e entre helenistas e ortodoxos. Esse cisma
desdobra-se na constituição de três grandes grupos religiosos
entre os judeus: fariseus (ortodoxos), saduceus (conservadores) e
essênios (monásticos). Durante a dominação romana
multiplicam-se as seitas e pregadores judeus.
FENÍCIOS
Povo de origem semita que ocupa uma
estreita faixa do litoral da Palestina. Tem como limites
terrestres os montes Casio (ao norte) e Carmelo (ao sul) e o Líbano
(a leste). As cidades-Estado autônomas Arados, Biblos, Beritos
(atual Beirute), Sidon e Tiro instauram a Fenícia como federação
política. Entre 1.000 e 774 a.C., Tiro assume a hegemonia.
Expansão marítima fenícia – Por meio do comércio e
atividades de guerra marítima, Tiro coloniza o sul da península
Itálica, parte da Sicília, litoral sul da península Ibérica e
norte da África, onde funda Cartago em 814 a.C. Entre 800 e 586
a.C., a Fenícia é invadida e dominada pelos assírios, depois
pelos babilônios e persas e, finalmente, pelos macedônios, em
332 a.C. Com a queda de Tiro, em 332 a.C., a hegemonia fenícia
passa para Cartago. A disputa pela hegemonia marítima no Mediterrâneo
leva os cartagineses a prolongadas guerras contra Roma (Guerras Púnicas),
que destrói Cartago em 146 a.C.
Economia e sociedade fenícias – O comércio marítimo é
a principal atividade econômica das cidades-Estado fenícias.
Realizam intercâmbio com as cidades gregas e egípcias e as
tribos litorâneas da África e Ibéria, no Mediterrâneo. Através
do mar Vermelho e de caravanas terrestres, atingem a Mesopotâmia
e a Índia. À medida que colonizam regiões litorâneas,
introduzem a servidão e a vassalagem das tribos e utilizam
trabalho escravo. Possuem uma forte classe de comerciantes ricos.
Organização política fenícia – Tem por base os clãs
familiares, detentores de riquezas e poder militar. Cada
cidade-Estado é governada por um rei, indicado pelas famílias
mais poderosas. A partir de 330 a.C., com a submissão das cidades
fenícias da Palestina, Cartago evolui para a eleição de um
conselho governativo. Elege os generais do exército e da frota e
separa a administração dos assuntos civis dos assuntos
militares.
Cultura e religião fenícias – Por volta do 1.000 a.C.
os fenícios já possuem um alfabeto, posteriormente adotado pelos
gregos e a partir do qual é criado o alfabeto latino. Desenvolvem
técnicas de navegação e de fabricação de embarcações.
Aperfeiçoam a arte do vidro, dos tecidos e do artesanato metalúrgico.
Sua religião é politeísta, com cultos e sacrifícios humanos.
HITITAS
Nômades procedentes do Cáucaso,
estabelecem um reino na Capadócia em 1.640 a.C., tendo Kussar
como capital. Desenvolvem uma política expansionista contra a Síria,
Babilônia e Egipto, mas não conseguem resistir à invasão dos
gregos (aqueus) em 1.200 a.C.
Política e sociedade hititas – Desenvolvem a mineração
de ferro, agricultura, artesanato e comércio por meio de mercados
e caravanas. Servos e escravos (prisioneiros de guerra ou por dívidas)
encarregam-se do trabalho. Uma classe de comerciantes ricos e a
nobreza cuidam dos negócios do Estado por meio de uma monarquia
hereditária. O rei, ajudado pela rainha e pela nobreza, é juiz
supremo, sumo sacerdote e chefe do exército.
Religião e cultura hititas – São politeístas, com
divindades da natureza, e realizam cultos sob influência babilônica.
Desenvolvem a escrita hieroglífica e a cuneiforme. Possuem normas
de direito nas quais são reguladas penas pecuniárias, privação
de liberdade e escravização para diferentes tipos de delitos.
CRETENSES
No final do período neolítico, a
população da ilha de Creta, no Mediterrâneo, é composta de
agrupamentos heterogêneos que já conheciam a metalurgia do
bronze, a agricultura e a construção de embarcações. A partir
de 2.600 a.C. os cretenses constroem povoados portuários, como
Cnossos, Festos e Maliá, através dos quais comerciam cereais,
vinho e azeite com os gregos, egípcios e palestinos. Por volta de
1.450 a.C. são dominados pelos aqueus.
Economia e sociedade cretenses – Praticam a agricultura,
a metalurgia do bronze e do ouro e a construção de embarcações.
Desenvolvem um ativo comércio marítimo. O trabalho é exercido
por escravos, pertencentes aos proprietários territoriais e aos
comerciantes. Constantes terremotos na região obrigam os
cretenses à reconstrução freqüente de seus povoados.
Organização política cretense – Os cretenses adotam o
modelo egípcio, com uma administração centralizada no rei e
baseada no domínio marítimo (talassocracia). Com a hegemonia dos
aqueus, a ilha passa a ser governada por um príncipe estabelecido
no palácio de Cnossos. Esse palácio é incendiado em 1.425 a.C.,
durante uma fracassada rebelião dos nativos cretenses contra os
ocupantes aqueus.
Cultura e religião cretenses – Os cretenses são politeístas
e reverenciam deuses animais e humanos. Desenvolvem a arte de
construção de grandes palácios, adornos de ouro, cerâmica,
escritura pictográfica e afrescos.
PERSAS E
MEDOS
São tribos nômades aparentadas
dos escitas, do Cáucaso, que se deslocam para os altiplanos do Irã,
mesclando-se a outras tribos locais. Por volta de 700 a.C. possuem
inúmeras cidades-Estado, como Ecbatana, Pasárgada e Persépolis,
sob hegemonia meda.
Império Persa – A expansão começa em 559 a.C., com a
fundação do Império Aquemênida de Ciro II. Os persas
conquistam os medos, consolidam sua hegemonia no Irã, anexam a Lídia,
submetem as cidades gregas da Ásia Menor, conquistam a Babilônia
e chegam aos territórios indianos. Sob o reinado de Dario I,
conquistam o Egipto (518 a.C.), a região do Indo (513 a.C.), a Trácia
e a Macedônia (512 a.C.). As cidades gregas da Ásia Menor
sublevam-se em 500 a.C. e os babilônios e egípcios em 486 a.C.
Em 386 a.C., a Ásia Menor cai novamente sob o domínio persa,
como resultado da guerra do Peloponeso. Em 330 a.C. os persas são
submetidos ao Império Macedônico.
Ciro, o Grande (559 a.C.-529 a.C), filho de Cambises, príncipe
persa, é o fundador do Império Persa dos aquemênidas. Na infância
é educado por pastores. Posteriormente, torna-se guerreiro. Notável
administrador, recebe o título de “Rei do Mundo”. Funda a
cidade de Pasárgada e estabelece um sistema de correios. Grande
estrategista militar, trata bem os vencidos, respeitando seus
costumes e religião, o que garante estabilidade ao império.
Organiza um exército moderno que utiliza a tática do assalto com
arqueiros montados e o combate de massas de soldados. Conquista o
reino da Lídia, a Babilônia e as colônias gregas da Ásia
Menor. É mencionado na Bíblia como o soberano que libertou os
judeus ao conquistar a Babilônia.
Dario, o Grande (522 a.C.-486 a.C),
genro e conselheiro de Ciro, destaca-se como administrador e
guerreiro. Assume o poder após derrotar a tentativa de usurpação
do trono pela casta sacerdotal, em 521 a.C. Dá continuidade aos
planos de hegemonia universal de Ciro, conquista a Trácia e a
Macedônia, mas fracassa na tentativa de submeter os gregos.
Implanta a economia monetária, tendo o dárico como unidade, e
reestrutura o império, dividindo-o em satrapias para facilitar a
administração. Constrói estradas que ligam as satrapias às
cidades onde reside o soberano. A “estrada real”, entre Sardes
e Susa, tem 2.500 km.
Economia e sociedade persas – Praticam a agricultura, a
pecuária, o artesanato, a mineração de metais e pedras
preciosas e a metalurgia. Realizam intenso intercâmbio comercial,
construindo estradas e canais para facilitar o transporte.
Implantam economia monetária, adotam um sistema de pesos e
medidas e instituem impostos de quantia fixa. Na base de sua
estrutura social estão os servos e escravos e, no topo, a nobreza
territorial, militar e burocrática.
Organização política persa – Evoluem da organização
em clãs para uma monarquia absoluta de caráter teocrático, em
559 a.C., sob Ciro II. O império é dividido em 20 distritos ou
satrapias, governadas por membros da casa real ou da nobreza
local. Os sátrapas têm a função de coletar tributos, manter os
exércitos permanentes e mobilizar a população para os trabalhos
em obras públicas.
Cultura e religião persas – Compreende uma literatura
bastante diversificada, particularmente a religiosa. No Avesta
constam os hinos (ghatas) e os ensinamentos de Zaratustra (ou
Zoroastro), que prega a sinceridade e a adoção do bem e da
verdade, contra o mal e a mentira. A fusão dos preceitos de
Zaratustra com a religiosidade popular resulta no mazdeísmo.
CHINESES
Desde o período pré-histórico
diferentes povos ocupam a região da China . O primeiro reino dinástico
surge por volta de 2.000 a.C. Sucedem-se disputas e guerras pela
hegemonia por quase 2 mil anos. A primeira unificação é
realizada pela dinastia Chin, em 221 a.C., substituída pela
dinastia Han ocidental, em 206 a.C.. Os Han mantêm a centralização
dinástica, derrotam a tentativa de invasão dos hunos e expandem
sua hegemonia pela Ásia Central e Sudeste Asiático. No século
I, a dinastia Han amplia seu território até o golfo Pérsico.
Organização política e social chinesas – A sociedade
evolui da forma comunal para a propriedade da nobreza territorial.
Os camponeses tornam-se servos, pagando obrigações aos senhores
territoriais. Com o tempo, os servos são incorporados ao exército.
Nas cidades, ganham importância os nobres, funcionários burocráticos,
comerciantes e artesãos. As dinastias têm organização monárquica,
com o rei centralizando as funções administrativas e
sacerdotais.
Economia chinesa – Até o século VIII a.C.,
desenvolvem-se a agricultura e a metalurgia de cobre e bronze. A
partir de 700 a.C. ganham importância as cidades, o comércio, o
artesanato e a fabricação da seda, tecidos e utensílios cerâmicos.
Surge um sistema monetário e de pesos e medidas. Entre o século
I a.C. e o século III são introduzidas novas técnicas agrícolas
(rotação de culturas, adubação, consorciação), e inventados
o papel e a bússola . A partir do século I a.C. desenvolve-se o
comércio transcontinental através da Rota da Seda, que liga a
China ao mar Negro, e da navegação marítima.
Cultura e religião chinesas – A escrita por ideogramas
surge por volta de 2.000 a.C. Os literatos e filósofos produzem
uma cultura rica e diversificada. Destacam-se Kung-tse (Confúcio),
Lao-tse e Mo-Ti, entre os anos 600 e 400 a.C. A religião dos
primeiros chineses é politeísta, com divindades da natureza e
culto aos antepassados. No século VI a.C., os ensinamentos de
Lao-tse, baseados no tao (origem e fonte do que existe e da
verdade), transformam-se em religião. O budismo começa a ser
difundido a partir do século I a.C.
HINDUS
Povoamentos neolíticos situam-se
no vale do Indo e do Ganges desde antes de 3.000 a.C. Em 500 a.C.,
a Índia é invadida pelos persas. Em 327 a.C. a expedição de
Alexandre, o Grande, chega até o vale do Indo. Em 272 a.C. o
reino de Asoka se impõe aos demais, mas em 185 a.C. o país se
dissolve em diversos reinos independentes. Essa situação se
prolonga até o ano 320 da era cristã, quando a dinastia Gupta,
estabelecida em Pataliputra, antiga capital do império de Asoka,
conquista a hegemonia. As incursões escitas e de hunos destroem a
dinastia Gupta em 535, dividindo o reino em dois Estados.
Economia e sociedade hindus – Possuem agricultura avançada,
irrigada por canais. Trabalham os metais (exceto o ferro) e
realizam um intenso comércio fluvial. Durante a dominação
ariana ocorrem mudanças na propriedade rural, com a repartição
familiar das terras, o cultivo de cereais e a criação de gado. A
organização social passa a obedecer a um regime de castas. Os
guerreiros (chátrias) e sacerdotes (brâmanes) são as castas
superiores. As castas inferiores são formadas pelos camponeses
(vaisia) e servos (sudras), que trabalham em regime servil. Os párias,
marginalizados, são pessoas sem casta que podem ser escravizadas.
O Código de Manu, elaborado pela casta sacerdotal, determina as
regras econômicas, administrativas, jurídicas e morais da
sociedade.
Cultura e religião hindus – Apresentam edificações com
cerâmica, em formas geométricas, artesanato de jóias de metal e
gravuras com representações religiosas e animais. A religião é
politeísta, com a deusa Shiva ocupando o centro do panteão. A
cultura e a religião védica dos arianos são introduzidas a
partir de 1.500 a.C. Os Vedas (saber sagrado) constituem os mais
antigos documentos da literatura sacra da humanidade. Admitem inúmeras
divindades subjetivas (Verdade, Juramento) e naturais (Aurora,
Fogo, Sol). Por volta de 525 a.C., o príncipe Sidarta Gautama se
torna Buda e passa a difundir as quatro verdades do budismo.
Ocidental
GRÉCIA
Na península Grega disseminam-se,
por volta de 3.000 a.C., povoados fortificados de tribos de
cultura agrária. Entre 1.600 e 1.200 a.C. intensificam-se as
migrações de povos pastores para a península, como os aqueus,
os jônios e os dórios, que falam grego, conhecem os metais e
utilizam carros de guerra.
Período homérico – Tem início com o predomínio dos
aqueus e jônios, por volta de 1.600 a.C. Período pouco conhecido
que pode ser reconstituído pelos poemas Ilíada e Odisséia,
atribuídos ao poeta grego Homero. Edificam fortalezas monumentais
(Micenas, Tirinto, Pilos, Gia e Atenas), desenvolvem o comércio
com Tróia, Sicília e península Itálica, fundam colônias
(Mileto, Rodes, Lícia, Panfília, Cilícia, Chipre) e assimilam a
cultura da ilha de Creta. Os guerreiros constituem a classe
dominante, enquanto os agricultores e pastores são considerados
servos e escravos.
Formação da pólis grega – Resulta, entre outros
fatores, de migrações dos dórios, beócios e tessálios (1.200
a.C. em diante). Os núcleos urbanos construídos em torno das
fortalezas micênicas se transformam em comunidades político-religiosas
autônomas. Ática, Argos, Atenas, Esparta, Tebas, Mileto e
Corinto estabelecem relações comerciais entre si e através de
todo o Mediterrâneo. Em torno de 1.000 a.C. o intercâmbio
comercial transforma-se num processo de colonização e escravização
de outros povos.
Guerra de Tróia – Provocada pela disputa entre gregos e
troianos pelas terras do litoral do mar Negro, ricas em minérios
e trigo. Segundo a lenda, o estopim da guerra é o rapto de
Helena, mulher de Menelau, rei de Amicléia (futura Esparta), por
Páris, príncipe troiano. Para resgatar Helena, os gregos entram
na fortaleza troiana escondidos dentro de um gigantesco cavalo de
pau enviado como presente a Páris.
Expansão grega – Acentua-se a partir de 750 a.C.,
resultado do crescimento da população, da expansão do comércio,
das disputas internas e das guerras entre as póleis. Jônios,
aqueus, eólios e dórios fundam colônias no Egipto, Palestina,
Frígia, Lídia, na costa do mar Negro, sul da península Itálica,
Sicília e sul da Gália. Os gregos enfrentam os assírios e os
medo-persas, na Ásia Menor, e os fenícios, particularmente de
Cartago, no Mediterrâneo ocidental e no norte da África. O assédio
dos medo-persas resulta nas guerras médicas, entre 492 e 479 a.C.
Guerras médicas – Têm origem no domínio persa sobre as
cidades jônias da Ásia Menor, a partir de 546 a.C. Em 500 a.C.
as cidades jônias se rebelam, sendo derrotadas em 494 a.C. A
partir de 492 a.C. os medo-persas ocupam a Trácia e a Macedônia
e desencadeiam a 1a Guerra Médica. Em 480 a.C. o exército persa
comandado por Xerxes avança sobre a Tessália, Eubéia, Beócia e
Ática, ao mesmo tempo que os cartagineses atacam os gregos na Sicília.
Tem início a 2a Guerra Médica, que se estende até 479 a.C. Os
medo-persas ocupam a Beócia e a Ática e saqueiam Atenas. Mas os
gregos vencem as batalhas de Salamina, Platéia e Micala, o que
leva os persas a desistirem da conquista da Grécia, entrando logo
depois em decadência.
Péricles (495 a.C.-429 a.C.), filho
de uma família de elite, educado por filósofos, é o maior
dirigente da democracia ateniense. Torna-se arconte (chefe político)
em 432 a.C., com uma plataforma de reformas democráticas.
Reelege-se, anualmente, durante mais de 30 anos. Célebre orador e
estrategista, torna-se o principal artífice da expansão imperial
de Atenas como potência comercial da Grécia. Instala novas colônias
e amplia a hegemonia ateniense sobre 400 cidades-Estado, através
da Liga de Delos, contra os persas. Realiza grandes construções
em Atenas, como o Partenon, e estimula as artes e a cultura. Morre
em 429 a.C., durante a Guerra do Peloponeso, de uma peste que
elimina um terço da população da Ática.
Guerra do Peloponeso – Começa em 431 a.C. Decorre do
antagonismo entre os interesses econômicos e políticos de
Corinto (aliada de Esparta) e Atenas. Atenas ataca e domina Potidéia,
mas seu exército é derrotado em Espartalos. A guerra continua até
a Paz de Nícias, em 421 a.C. Em 415 a.C. Esparta e Atenas voltam
a se enfrentar pelos mesmos motivos. Finalmente, em 405 e 404
a.C., os espartanos vencem os atenienses em Egospótamos e invadem
Atenas, que é obrigada a destruir sua muralha de defesa,
dissolver a Liga de Delos, entregar a esquadra, fornecer tropas e
reconhecer a hegemonia de Esparta. A aristocracia substitui a
democracia pela oligarquia.
Período helenístico – Estende-se de 338 a 30 a.C., período
que corresponde à expansão e o posterior declínio do império
de Alexandre, o Grande, da Macedônia. As conquistas de Alexandre
e a fundação dos reinos diádocos difundem a cultura grega no
oriente. A biblioteca de Alexandria, com 100 mil rolos de papiros,
transforma-se no centro de irradiação cultural do helenismo,
incentivando um novo florescimento da geografia, matemática,
astronomia, medicina, filosofia, filologia e artes. Em 220 a.C.
começa uma crise econômica e política, a ascensão de novas potências
e a reação dos povos gregos contra o helenismo, contribuindo
para o seu declínio. A tomada de Alexandria pelas legiões
romanas, em 30 a.C., encerra o período.
Império Macedônico – Séculos seguidos de guerras
internas e externas debilitam o poderio grego e abrem espaço para
a ascensão da Macedônia, região no norte da Grécia
anteriormente ocupada por tribos trácias que foram assimiladas
pelas migrações e cultura gregas. A expansão macedônica começa
em 359 a.C., com o início das campanhas de Felipe II. As relações
econômicas e culturais entre o Mediterrâneo e o oriente se
intensificam com o estabelecimento do Império Macedônico. Felipe
é sucedido por seu filho Alexandre, o Grande, que expande o império,
funda mais de 70 cidades, entre as quais Alexandria , no Egipto.
Essas cidades funcionam como mercados de intercâmbio com a China,
Arábia, Índia e o interior da África e facilitam a difusão
cultural grega.
Alexandre, o Grande (356 a.C.-323 a.C.),
filho de Felipe II, assume o reino da Macedônia aos 20 anos, após
o assassinato do pai. Aluno de Aristóteles, passa a apreciar a
filosofia e as ciências. Estabelece completo domínio sobre a Grécia,
Palestina e Egipto, avança através da Pérsia e da Mesopotâmia
e chega à Índia. Em 13 anos, Alexandre, também conhecido como
Magno, cria o maior império territorial até então conhecido. No
delta do rio Nilo funda Alexandria, que logo se projeta como pólo
cultural e comercial. Morre de febre aos 33 anos, na Babilônia.
Divisão do império – O império Macedônico se organiza
em nove reinos ou diádocos, considerados propriedade privada. A
base do poder desses reinos é o exército mercenário e a coleta
de impostos. A morte de Alexandre, em 323 a.C., abre um processo
de disputas em que se envolvem os diádocos, os povos submetidos e
as potências emergentes, principalmente Roma. As guerras entre os
diádocos pelo domínio do império se estendem até 280 a.C.
Resultam na formação de três grandes reinos com dinastias
independentes: Macedônia, Ásia Menor e Egipto.
Economia e sociedade gregas – A introdução da
metalurgia do bronze e do ferro, o desenvolvimento do artesanato e
a intensificação do comércio aumentam a produtividade entre os
séculos VI e IV a.C. Esses fatores, associados às migrações e
às guerras, modificam as antigas relações sociais, baseadas em
clãs. Os habitantes passam a agrupar-se principalmente nas póleis.
O trabalho na agricultura e nas demais atividades manuais fica a
cargo de escravos (em geral presas de guerra) e parceiros
semilivres. As terras comunais ou gentílicas passam à
propriedade de uma classe de proprietários territoriais, a
nobreza. O desenvolvimento do comércio faz surgir uma classe de
comerciantes e artesãos ricos.
Esparta – É fundada em 900 a.C., não como pólis, mas
como a fusão de quatro povoamentos rurais dórios no vale do rio
Eurotas. A partir de 740 a.C., Esparta conquista Messênia e se
expande para o norte da península. Em 706 a.C. funda a colônia
de Tarento, na península Itálica, e começa a disputa com Argos
pelo predomínio do Peloponeso. Em 660 a.C. os messênios
rebelam-se, mas voltam a ser submetidos depois de 20 anos de
guerra. Nessa guerra, Esparta adota uma nova formação militar, a
falange dos hoplitas, armados de lança e espada e protegidos por
escudo e couraça, e se transforma em um Estado militar. O Estado
espartano é dirigido por dois reis (diarquia), com apoio e
controle dos nobres organizados num conselho de anciãos (Gerúsia)
e num conselho de cidadãos (Éforos). Os espartanos são educados
pelo Estado e formados para a guerra. A economia depende do
trabalho dos camponeses (os hilotas), carentes de qualquer
direito, e dos habitantes (periecos) das cidades dominadas,
obrigadas a fornecer contingentes militares a Esparta.
Atenas – Pólis originada da fortaleza (Acrópole)
fundada por volta de 1.400 a.C. pelos jônios. Desenvolve-se no
comércio marítimo e na fundação de colônias na península Itálica
e Mediterrâneo ocidental, Ásia Menor e costa do mar Negro. A
sociedade é formada por cidadãos (possuidores de direitos políticos),
metecos (estrangeiros) e escravos (maioria da população).
Legisladores atenienses – Os mais conhecidos são Drácon,
Sólon, Psístrato e Clístenes, que procuram abrandar os
conflitos sociais que explodem a partir de 700 a.C. decorrentes do
endividamento dos camponeses, pressão demográfica, ascensão dos
comerciantes e arbitrariedades da nobreza.
Drácon – Em 624 a.C. publica leis para impedir que os
nobres interpretem as leis segundo seus interesses. Mesmo assim, a
legislação é considerada severa, daí a expressão draconiana,
mas é o primeiro passo para diminuir os privilégios da
aristocracia.
Sólon – Em 594 a.C. Sólon anistia as dívidas dos
camponeses e impõe limites à extensão das propriedades agrárias,
diminui os poderes da nobreza, reestrutura as instituições políticas,
dá direito de voto aos trabalhadores livres sem bens e codifica o
direito.
Pisístrato – As desordens e a instabilidade política
resultantes das reformas de Sólon levam à tirania de Pisístrato,
em 560 a.C., que impõe e amplia as reformas de Sólon, realizando
uma reforma agrária em benefício dos camponeses. As lutas entre
aristocratas e trabalhadores livres conduzem a novas reformas,
entre 510 e 507 a.C.
Clístenes – É considerado o fundador da democracia
ateniense. Introduz reformas democráticas baseadas na isonomia, o
princípio pelo qual todos os cidadãos têm os mesmos direitos,
independentemente da situação econômica e do clã ao qual
estejam filiados. Divide a população ateniense em dez tribos,
misturando homens de diferentes origens e condições. Introduz a
execução dos condenados à morte com ingestão de cicuta
(veneno) e a pena do ostracismo (cassação de direitos políticos
daqueles que ameaçassem a democracia). A partir de suas reformas,
Atenas converte-se na maior potência econômica da Grécia entre
490 e 470 a.C.
Artes e ciências gregas – Os gregos desenvolvem a
dramaturgia (Sófocles, Ésquilo, Eurípedes, Aristófanes), a
poesia épica e lírica (Homero, Anacreonte, Píndaro, Safo), a
História (Heródoto, Tucídides, Xenofonte), as artes plásticas
(Fídias) e a arquitetura (Ictinas e Calícrates). Dedicam-se ao
estudo da natureza e do homem pela filosofia (Aristóteles, Platão,
Heráclito, Epicuro), astronomia (Erastótenes, Aristarco,
Hiparco), física, química, mecânica, matemática e geometria
(Euclides, Tales de Mileto, Pitágoras , Arquimedes).
Mitologia e religião gregas– A mitologia é
particularmente rica ao registrar toda a diversidade da
religiosidade e da vida econômica e social da Antiguidade e dos
períodos anteriores à civilização grega. Na religião politeísta,
praticada pela aristocracia e difundida por Homero, os deuses Zeus
, Hera, Deméter, Poseidon, Hefestos, Ares, Apolo, Artêmis,
Hermes e Atena moram no Olimpo e estão relacionados aos elementos
naturais e humanos.
Organização política grega – A princípio, as póleis
assimilam a forma monárquica de governo dos povos submetidos. Em
diferentes momentos, os nobres destronam os reis e estabelecem
governos oligárquicos ou ditatoriais. Nobres, artesãos,
comerciantes e camponeses lutam entre si para fazer predominar
seus interesses. A presença de numerosa população escrava
estrangeira traz a ameaça constante de rebeliões. O processo de
luta entre essas classes desemboca na democracia. São concedidos
direitos civis aos estratos livres da população,
independentemente da classe social a que pertençam. Os escravos,
não sendo parte do povo, são mantidos alijados desses direitos.
As diversas póleis gregas, com diferentes formas de governo,
travam guerras entre si pelo predomínio de seu sistema político.
Democracia grega – Forma de governo adotada por várias póleis,
baseada nos princípios da soberania popular e na distribuição
eqüitativa do poder político. Os diversos estratos da população
têm os mesmos direitos civis e políticos e participam do
controle das autoridades. A forma democrática de governo criada
pelos gregos é única durante a Antiguidade e só é retomada na
Idade Moderna.
ROMA
A península Itálica é quase toda
ocupada por povos do Neolítico, que conhecem a metalurgia do
bronze, a agricultura e a construção de aldeias fortificadas,
como as palafitas. Por volta de 2.000 a.C., a península recebe
uma onda migratória de povos indo-europeus.
Domínio etrusco – Os etruscos, de origem desconhecida,
deslocam-se para a península Itálica a partir de 900 a.C. e
paulatinamente aumentam seu domínio. Na mesma época os gregos e
fenícios fundam colônias na parte meridional da Itália e na Sicília.
A fundação de cidades etruscas é uma característica do
povoamento peninsular, destacando-se Roma em 753 a.C., que funde
os latinos e os sabinos numa única comunidade urbana. Ainda sob o
domínio etrusco, Roma estabelece a hegemonia sobre o Lácio e,
posteriormente, sobre toda a península Itálica. Os romanos
conseguem livrar-se do domínio etrusco, expandir sua influência
na África, Europa Central e Ocidental, Grécia e Ásia Menor e
transformar-se em império.
República romana – No início da hegemonia romana, a
confederação entre as cidades governadas por reis é substituída
por uma monarquia centralizada. O rei é entronizado por vontade
divina, e é, ao mesmo tempo, chefe do exército, sacerdote e juiz
supremo. Senado (assembléia de anciãos) e Cúria (assembléia de
varões) são conselhos consultivos do rei. Em 509 a.C., como
resultado das lutas entre patrícios e plebeus, estabelece-se a
igualdade jurídica entre as classes livres, a monarquia é
derrubada e instaura-se a República. As instituições
fundamentais da República são o Senado, as Assembléias
Populares e a Magistratura. A República termina em 46 a.C.,
quando Júlio César, após conquistas militares externas e lutas
contra o Senado, transforma-se em ditador vitalício.
Expansão romana – Desde 510 a.C. Roma dedica-se ao domínio
de toda a península Itálica. A partir de 264 a.C. volta-se
contra Cartago e as colônias cartaginesas no norte da África,
Sicília, Sardenha, Córsega, Baleares e península Ibérica. De
200 a.C. até o ano 476, Roma atravessa seis séculos de contínua
expansão territorial, formando um império ainda mais vasto do
que o de Alexandre, o Grande. Os romanos conquistam a Macedônia e
a Grécia, a Ásia Menor, o Egipto, a Cirenaica (atual Líbia), a
península Ibérica, a Gália (França), Germânia (Alemanha), Ilíria
(Albânia), Trácia, Síria e Palestina. Transformam a Mauritânia,
a Capadócia, a Armênia, os Partos e o Bósforo em reinos
vassalos.
Guerras Púnicas – São desencadeadas pela disputa da
hegemonia do comércio no Mediterrâneo. A primeira guerra começa
em 264 a.C. mas o embate só termina depois da terceira guerra em
146 a.C. Nelas se enfrentam Roma e Cartago (parte do domínio fenício).
1a Guerra Púnica – Estende-se de 264 a 241 a.C. Roma
consegue aniquilar os exércitos cartagineses, estabelecer seu domínio
sobre a península Ibérica e a Sicília e restringir a influência
de Cartago ao norte da África.
2a Guerra Púnica – É a mais famosa e vai de 218 a 202
a.C. Nela o general cartaginês Anibal e seu exército atravessam
os Alpes montados em elefantes e chegam às portas de Roma. Os
romanos decidem então atacar Cartago, e Aníbal volta para
defender sua pátria, onde é derrotado.
Aníbal (247a.C.-183 a.C.), general e
estrategista cartaginês famoso por sua genialidade. Aos 9 anos é
levado pelo pai para a Espanha e, segundo a lenda, jura ódio
eterno aos romanos. Em 221a.C. torna-se chefe supremo das tropas
de Cartago. Em 219 a.C., depois de conquistar a cidade de Sagunto
(aliada aos romanos), na Espanha, organiza um grande exército com
infantaria, cavaleiros e 37 elefantes e cruza os Alpes em direção
a Roma (2a Guerra Púnica). Durante a campanha fica cego de um
olho e perde metade de seus homens, mas chega às portas de Roma.
Vencido pelos exércitos de Roma em Cartago, Aníbal se refugia em
Bítinia, na Ásia Menor, e depois se mata, tomando veneno, para não
ser preso pelos romanos.
3a Guerra Púnica – Em 149 a.C., diante de novo e
crescente desenvolvimento comercial de Cartago, Roma cria pretexto
para nova guerra na qual destrói Cartago (146 a.C.) e vende seus
sobreviventes como escravos. O antigo território cartaginês é
transformado na província romana da África.
Crises na República – Nos séculos III e II a.C., o
movimento de expansão territorial romano é acompanhado de uma
guerra civil entre patrícios e plebeus. O movimento reformador
dos Graco é uma de suas principais expressões. Roma também se vê
envolvida em guerras e rebeliões dos povos dominados na Numídia
(África), Germânia (teutões), Danúbio (címbrios), península
Itálica (itálicos) e Grécia. A disputa entre as diversas facções
patrícias pelo poder em Roma se alastra pela Ásia Menor, Sicília,
África e Espanha.
Reformas dos Graco – Entre 133 e 121 a.C., os irmãos Tibério
e Caio Graco propõem reformas, como a limitação da extensão máxima
dos latifúndios, a distribuição das terras comunais entre os
camponeses e proletários e a distribuição do tesouro real entre
os novos colonos. Incluem também a concessão de plenos direitos
civis a todos os latinos e a cidadania a todos os aliados.
Tibério Semprônio Graco (162 a.C.-133
a.C.) é o mais célebre tribuno romano da plebe. Nasce em
Roma e é educado por filósofos gregos. Segue as tradições
liberais de sua família, desde o início da carreira, como
questor na Espanha. É considerado o fundador do partido dos
populares, facção radical que prega reformas em contraposição
à oligarquia senatorial. Em 133 a.C., estabelece a Lei Agrária,
que distribui aos pobres uma parte das terras pertencentes ao
Estado. É assassinado num comício para sua reeleição.
Caio Semprônio Graco (154 a.C.-121 a.C.),
irmão mais jovem de Tibério, também ganha destaque como
reformador. Após a morte do irmão, assume a frente da facção
radical. Em 123 a.C. é eleito tribuno e implanta várias leis
populares, como a Lei Frumental, que barateia o custo do trigo aos
pobres, e a Lei Viária, que determina a construção de obras públicas
para empregar os desocupados.
Fim da República – Em 46 a.C., Júlio César e suas legiões
extinguem o poder do Senado. César realiza uma ampla reorganização
política e administrativa de Roma e do império, impulsiona a
romanização dos territórios dominados por meio de colonos,
distribui terras entre os soldados, reforma o calendário e
promove construções monumentais. O assassinato de César tem
como conseqüência a formação do triunvirato (Antônio, Otávio
e Lépido), em 43 a.C., novas guerras internas e a repartição do
império, em 40 a.C.
Caio Júlio César (100 a.C.-44 a.C.),
um dos maiores chefes militares de toda a História, nasce em família
aristocrática e alavanca suas ambições políticas com campanhas
brilhantes contra as tribos que habitam as atuais França e Bélgica
. Participa do primeiro triunvirato em 60 a.C., ao lado de Pompeu
e Crasso. Com a morte de Crasso, disputa o poder com Pompeu, que
é apoiado pelo Senado. César é destituído do cargo de
governador das Gálias e recebe ordens para depor as armas.
Decide, ao contrário, invadir a Itália e ao atravessar o Rubicão
(riacho que separava a Gália da Itália) pronuncia a famosa frase
Alea jacta est, "A sorte está lançada". A seguir,
conquista Roma e a península Itálica. Invade o Egipto intervindo
na disputa dinástica a favor de Cleópatra. Em 47 a.C. chega à
Ásia, onde obtém rápida vitória sobre Farnaces, rei do Ponto,
quando diz outra frase célebre Veni, vidi, vinci ("Vim, vi,
venci"). De volta a Roma, torna-se cônsul vitalício e
ditador perpétuo. É assassinado com 23 facadas, nas escadarias
do Senado, por vários senadores liderados por Brutus, seu filho
adotivo, e Caio Cássio. Ao ser atacado, César se defende até
ver Brutus. Pronuncia então sua última frase famosa, "Até
tu, Brutus", e deixa de lutar.
Divisão do império – O Tratado de Brindisi (40 a.C.)
divide o Império Romano entre Antônio, Otávio e Lépido. Antônio
fica com o oriente, Otávio com o ocidente e Lépido com a África.
Roma e a península Itálica são domínio comum do triunvirato.
Em 39 a.C., pelo Tratado de Miseno, Sexto Pompeu recebe a Sicília,
a Sardenha, a Córsega e a Acaia, com o compromisso de abastecer
Roma de grãos. Embora o triunvirato tenha sido renovado por mais
cinco anos, em 38 a.C., as guerras internas prolongam-se até 30
a.C., quando Otávio (depois chamado de Otávio Augusto) derrota
Antônio e Cleópatra e domina o Egipto.
Otávio Augusto (63 a.C. -14 d.C.),
conhecido também como César Augusto, é o primeiro imperador
romano, embora jamais governado de forma despótica. Sobrinho-neto
e herdeiro declarado de Júlio César, estudava na Ilíria, do
outro lado do mar Adriático, quando sabe do assassinato do tio-avô.
Organiza então um exército e assume o controle de Roma, ao lado
de dois poderosos amigos de César, Marco Antônio e Lépido. Os
três se aliam contra os assassinos de César e, em seguida,
passam a lutar entre si. Em 30 a.C. declara guerra à união de
Antônio e Cleópatra e transforma o Egipto em província romana.
O Senado lhe outorga o título de Augusto e ele passa a exercer o
poder absoluto por 44 anos. Augusto pacifica as Gálias, reforma
os costumes, amplia os territórios do império até o Elba e o
Danúbio e proclama a paz universal (Pax Augusta).
Sucessores de Augusto – Nomeado por Augusto como seu
sucessor, Tibério Júlio César assume o império em 14 d.C. Tibério
reforça o caráter oligárquico do poder, passa ao Senado a
prerrogativa de eleger os magistrados e enfrenta conspirações
palacianas que resultam em processos de lesa-majestade, execuções
e suicídios.
Calígula – Caio César Germânico é o sucessor de Tibério
em 37 d.C. Fica conhecido por Calígula, diminutivo do tipo de
sandália usada pelos soldados.Transforma o principado em
monarquia teocrática inspirada no estilo oriental. Persegue os
senadores ricos e fica famoso por suas críticas ao Senado
nomeando cônsul seu cavalo Incitatus. É assassinado pela guarda
pretoriana em 41.
Cláudio – Retoma a tradição administrativa de Augusto
e conquista o sul da Britânia e a Trácia. É assassinado em 54
por sua segunda mulher, Agripina, que coloca seu filho Nero no
trono.
Nero – Déspota que desencadeia uma série de
assassinatos, incluindo o da própria mãe, Agripina. Incendeia
Roma e inicia a perseguição aos cristãos. É deposto pelo
Senado e suicida-se em 68. A ele sucedem-se quatro imperadores
durante o ano de 69, substituídos pela dinastia flávia
(Vespasiano, Tito e Domiciano), entre 69 e 96.
Antoninos – É a denominação dada aos imperadores
adotivos, que chegam ao trono por adoção ou eleição, a partir
de 96. Começa com a nomeação de Nerva, pelo Senado. Em 98,
depois de um motim dos pretorianos, é eleito Trajano, governador
da Alta Gemânia, que com suas conquistas faz com que o Império
Romano alcance sua extensão máxima. Seu sucessor é Adriano,
governador da Síria, em 117, que reestrutura a administração e
o exército, ordena a primeira codificação do Direito Romano,
funda inúmeras cidades e pacifica os territórios do império.
Morre em 138 e é sucedido por Antonino Pio (138 a 161), Marco Aurélio
(161 a 180) e Cômodo (180 a 192). A partir do reinado de Marco
Aurélio reativam-se as guerras de povos dominados.
Dinastia dos Severo – Iniciada com o acesso de Sétimo
Severo ao trono, em 193. Sucedem-lhe Caracala, Helio Elagábalo e
Alexandre Severo, até 235. Além da redução dos poderes do
Senado e do fomento da germanização do exército, o ato mais
importante do período é a Constitutio Antoniniana, de 212, que
concede a plena cidadania romana a todos os provincianos livres e
estabelece a unidade jurídica do império. Excluindo Sétimo
Severo, todos os imperadores dessa dinastia são assassinados.
Economia romana – É basicamente agrária e pastoril no
período da Realeza. A partir da República, quando o Império se
espande, tem acesso aos escravos e desenvolve o comércio.
Sociedade de patrícios e plebeus – Sob o domínio dos
etruscos, há uma nobreza proprietária de terras, súditos livres
que trabalham na agricultura e nos ofícios e escravos,
prisioneiros de guerra ou por dívidas. Sob o domínio romano, há
os romanos livres e os escravos. Os romanos livres configuram duas
grandes classes: os patrícios, ou nobreza territorial e militar,
e os plebeus. Entre os plebeus estão os camponeses (pequenos
proprietários ou lavradores das terras públicas), os artesãos e
os soldados das centúrias. Além do escravismo, os patrícios
utilizam o sistema da clientela, no qual trabalhadores livres
produzem nos latifúndios em troca de proteção e de parte do que
produzem. Com o fim das conquistas militares e as invasões bárbaras
(século III) o escravismo é substituído pelo colonato, uma
forma de servidão voluntária com base na antiga tradição da
clientela.
Cultura romana – A mais importante contribuição é no
campo do direito, que constitui a base do sistema judiciário das
nações ocidentais. Outras inovações são o alfabeto latino, a
arquitetura com arcos e abóbada, o retrato, o relevo histórico e
o mural decorativo. Os romanos recebem influência da cultura
grega na pintura de afrescos, artesanato e escultura. Destaque
para poetas como Horácio, Ovídio e Virgílio, historiadores como
Varrão, Júlio César, Catão e Tito Lívio, e literatos como
Plauto, Cícero e Andrônico.
Religião romana– Politeísta, com sacrifícios rituais.
Sofre influência grega, com deuses equivalentes (por exemplo,
Zeus é Júpiter, Ares é Marte). Com a expansão militar, os
romanos assimilam cultos orientais e também o cristianismo, que
chega a Roma por volta do ano 50 e se difunde rapidamente entre os
plebeus. Durante o império, os romanos veneram o soberano e têm
seus cultos supervisionados pela magistratura estatal, sendo o
imperador o sumo pontífice.
Império Romano e cristianismo – As perseguições à
nova religião começam com Nero (ano 54 a 68), numa reação ao
crescimento do cristianismo e à recusa dos cristãos em venerar o
imperador. Os cristãos são perseguidos até 313, quando o
imperador Constantino, pelo Edito de Milão, concede-lhes
liberdade de culto e igualdade de direitos, além da devolução
dos bens expropriados da igreja cristã . Em 392, com o imperador
Teodósio, o cristianismo torna-se a religião oficial do Império
Romano.
Constantino (280-337) passa a juventude na corte de
Diocleciano. Em 305 junta-se ao pai, nomeado césar do ocidente, e
participa da campanha da Bretanha. Um ano depois, é aclamado
imperador. Em 324, após derrotar os outros césares, torna-se único
imperador e elege Constantinopla como a capital do império
unificado. É conhecido por ter encerrado a perseguição aos
cristãos e colocado o cristianismo em situação de igualdade com
os cultos pagãos. Com o passar dos anos, sua adesão ao
cristianismo se acentua: proíbe que os senhores matem seus
escravos, coíbe o adultério e o concubinato. Antes de morrer,
recebe o batismo cristão.
Declínio do Império Romano – Começa antes do ano 200,
com a crescente pressão dos chamados povos bárbaros, tanto os
submetidos pelo Império Romano quanto os que vivem nas regiões
limítrofes. Essa situação leva o império a abandonar várias
províncias e agrava as disputas internas. Sucedem-se os
imperadores militares, numa tentativa de frear a decadência do
império. Mesmo apoiados no exército, os imperadores militares
duram pouco tempo no poder e são, quase todos, assassinados. Com
o objetivo de sufocar as rebeliões internas, reforçar as
fronteiras do império e reiniciar a expansão no oriente, os
cidadãos romanos são transformados em súditos, os camponeses
ficam vinculados à gleba e os artesãos formam comunidades
obrigatórias de trabalho (corporações) para prover o exército.
Em 297, o imperador Diocleciano divide o império em dois augustos
e dois césares, num sistema chamado tetrarquia, implantado para
acabar com as agitações nas sucessões imperiais. Mas o
absolutismo não consegue deter o declínio do Império, apesar
das tentativas posteriores do imperador Constantino, entre 324 e
337.
Império do Ocidente e do Oriente – Em 394, acossado
pelas grandes migrações e pelas invasões dos bárbaros, o Império
Romano se divide em dois. Formam-se o Império Romano do Oriente,
ou Império Bizantino, com capital em Constantinopla (mais tarde
Bizâncio), e o do ocidente, com capital em Roma. O império do
ocidente subsiste por 80 anos, atacado por germanos e hunos, até
se extinguir em 476. O império do oriente estende-se até 1453.